sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um Acaso Feliz!


A palavra "Serendipity" parece não ter tradução para o português.

Significa uma descoberta útil, feliz, sem o propósito, ao acaso.

Segundo o dicionário Inglês Oxford, o termo foi utilizado por Horace Walpole em uma carta a seu amigo Sir Horace Mann em janeiro de 1754. Ele explicava que se baseou num conto: " The Three Princess of Serendip" (um antigo nome do Sri Lanka), aonde os protagonistas estavam sempre fazendo descobertas, por acidente e sagacidade, de coisas pelas quais não procuravam.

O livro "Happy Accidents: Serendipity in Modern Medical Breakthroughs" de Morton A. Meyers comenta exemplos de "serendipitys" que representaram avanços médicos.


N Engl J Med 356:2658, June 21, 2007 Book Review

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nostalgia

Música é algo extraordinário.
O dia começou pesado.
Um atraso imprevisto, uma tarefa atrás da outra, uma fome repentina (mascarada por uma Coca ao invés do café)...
Para dar continuidade ao trabalho, mental e digital, de frente à tela, cercado por dados de laboratórios, decido colocar uma musiquinha. Uma rádio easy, o que acho compatível.
Imediatamente me transfiro para uma festa da minha pré-adolescência e sinto, de maneira fugaz, a mesma sensação que sentia naquela época.
Uma música do "The Commodores". Surpresa agradável.
Sinto saudades, e imagino que no futuro lembrarei deste momento da mesma forma.
Uma gota estimulante para o restante do dia.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

ARU!

Passo por aqui para salvar uma data.
Ontem fui a um dos casamentos mais bonitos que já presenciei.
Lá mesmo, soube que seria padrinho.
Um casal especial, uma história particular, um lugar mágico, com pessoas de bem.
Um casamento numa manhã sem muito sol, sem frio ou calor, sem terno, sem gravata.
Um conforto emocionante.
Felicidade "acordada"!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

REMAKE

Após conversa descontraída na última semana, fui buscar no fundo da gaveta um recorte de jornal com um artigo da F. de S. Paulo de 09 fevereiro de 2004. Fora escrito pelo ex-articulista, Nelson Ascher. O título: "My Way".
Escrevo, porque foi neste pedaço de papel que li sobre a composição "Quotidiano" de 1971 sob autoria de Chico Buarque.Segundo Ascher, Claude François, Gilles Thibaut e Jacques Revaux compuseram "Comme d´Habitude", cuja letra fala sobre um dia comum na vida de um casal. Ele acrescenta que melosa e um tanto tediosa, a canção poderia ter inspirado o compositor brasileiro a desenvolver uma obra superior: "Quotidiano" -1971. Sobre o título da coluna, "My Way", transcrevo o trecho abaixo:"...Jacques Revaux, antes de escrever em francês, escreveu em inglês "For Me". E Paul Anka, após comprar o disco em Paris, compôs-lhe (preservando a melodia) um texto totalmente distinto e mostrou a seu amigo "Ol´Blue Eyes". O resto é história". O artigo é interessante. Correlaciona a letra transformada por Anka com o famoso poema de Rudyard Kipling "If", sendo tudo uma "homenagem ao individualismo anglo-saxão". E ainda suspeita de um possível desdobramento de "My Way" para "I am What I am", hino da independência e autoafirmação gay (de Jerry Herman para "A Gaiola das Loucas"). Finaliza afirmando que apesar de muitos a terem cantado ninguém, após Sinatra, imprimiu uma marca tão original como John Simon Ritchie, ou Sid Vicious, no final dos 70. A música foi apresentada na forma de um clip no filme "Sid and Nancy (1986)" de Alex Cox com Gary Oldman no papel de Vicious.Conferí rapidamente, e talvez seja o que Ascher descreve: "uma zombaria heroinômana mortalmente séria". Preciso assistir o filme. Mas é difícil tirar My Way do velho Frank, talvez Tom Jones?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Jacques Revaux ou Claude Françoise

A música popular se parece às vezes com o cinema. Existem, e não são poucos, clássicos da música que se comportam como "refilmagens" de obras esquecidas.
O trabalho artístico, mais do que com princípios corretamente empregados, tem antes a ver com resultados pragmáticos que dependem, não raro, do acaso, da sorte.
A trajetória de "My Way" ilustra perfeitamente esses paradoxos.
A canção celebrizada por Frank Sinatra em 1969, é adaptação americana de um original francês. No mesmo ano também gravou "If you go away", traduzida para o inglês por Rod McKuen, da obra prima de Jacques Brel "Ne me Quitte Pas (1959)" algo que soa não menos patético do que a tradução de Ronnie Von quando reduziu "Girl (1965 Lennon/McCartney)" à "Meu Bem".
Claude François (que morreu eletrocutado no chuveiro) compôs em 1968, com Gilles Thibaut e Jacques Revaux " Comme d´Habitude" (Como de costume), e sua letra, falando sobre um dia comum na vida de um casal, embora melosa e tediosa, quem sabe tenha inspirado uma composição superior "Quotidiano" (1971), de Chico Buarque.
O próprio Revaux, antes da letra em francês, escrevera uma em inglês (For me), mas foi Paul Anka que, após comprar o disco em Paris, compôs-lhe (preservando a melodia) um texto totalmente distinto e o mostrou a seu amigo "Ol´Blue Eyes". O resto é história.
O contraste entre ambas: enquanto a de François, mornamente amorosa, consiste numa ladainha à mesmice, a de Anka/Sinatra, cujo nome título quer dizer "à minha maneira", homenageia o individualismo anglo saxão, descendendo em linha direta de "If" (Se), o poema mais conhecido de Rudyard Kipling (1865 - 1936). "Se és capaz de manter a tua calma, quando, / todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa./ De crer em ti quando estão todos duvidando, / e para esses no entanto achar uma desculpa."
Um possível desdobramento de "My Way" foi "I am what I am". Hino da independência gay, composto por Jerry Herman para seu musical da Broadway, " A Gaiola das Loucas" (1983), baseado em "La Cage Aux Folles" (1978), filme franco-italiano de Edouard Molinaro com Ugo Tognazzi, fez sucesso em 1984 tanto na voz de Shirley Bassey quanto na de Gloria Gaynor.
A maioria das canções raramente se desvincula de um intérprete, de preferência seu compositor, porém a maleabilidade da criação de Françoise, Anka e outros, talvez seja a exceção que confirme a regra.
Apesar de muitos a terem cantado, ninguém, depois de Sinatra, imprimiu-lhe uma marca tão original quanto John Simon Ritchie, ou melhor, Sid Vicious, que converteu-a, no fim dos anos 70, numa zombaria heroinômana mortalmente séria. Apresentada sob a forma de um "clip" em "Sid and Nancy" (1986), de Alex Cox, com o Grande Gary Oldman no papel de Vicious, "My Way" é também o ponto alto do filme.
Extraído da coluna de Nelson Ascher.
FSP 09/02/2004 - Ilustrada.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Carta de viagem

Conheci Buenos Aires numa manhã de sol, de céu azul encoberto por uma camada de gases, imagem típica das grandes cidades. Cheguei pelo mar. Pude ver um porto limpo e organizado. Não demorou para aparecerem dezenas de táxis, muitos deles antigos, com motoristas fumadores, obesos, irritados, por vezes simpáticos e engravatados.


Rua Florida de gente e de lojas. Vi uma floricultura. Comprei dois cds de tango na livraria Ateneo. Passamos parte do tempo na Galerias Pacífico (mais tarde descobriríamos que é o segundo shopping mais caro de BA). A surpresa agradável ficou por conta de duas lojas fantásticas chamadas: ModduMorph( www.morph.com.ar ) e Imaginarium(www.imaginarium.info).


O churrasco de Buenos Aires foi decepcionante. Erramos na escolha. No bairro nobre de Puerto Madero, optamos pela churrascaria Tierra de Parrilleros . Uma vista linda de uma moderníssimia ponte branca. Um churrasco insoso, um vinho acima da temperatura (Terrazas Malbec Reserva 2006 - $ 95,00), papas fritas inesquecíveis. Lição do almoço: se o taxista for simpático, ele tem convênio com o dono do restaurante! Confie nas indicações de outros turistas amigos e conhecidos.


Caminhamos por Puerto Madero até o Hotel Faena. Aberto há 04 anos após reforma de uma antiga tulha construída no início do século passado. A diária varia entre US$ 700,00 e US$ 800,00. Uma entrada pequena, simples, deslumbrante por vazos de flores vermelhas e por um carpet alto também vermelho. Após caminharmos debaixo de sol no verão portenho estávamos um pouco acanhados para conhecer tal recinto. Nos sentimos completamente à vontade após sermos recepcionados muito bem por uma moça que nos permitiu conhecer os restaurantes, os banheiros (todos em mármore) e a piscina do Hotel. Coisa fina, que vale a visita, inclusive incitou um retorno a capital argentina para um jantar no seu restaurante Branco (refeições individuais $70 por pessoa, sem vinhos).


La Recoleta: chegamos pouco antes de fecharem o cemitério. Imaginem as pessoas fazendo turismo entre urnas (sim, muitas são vistas dentro das construções envidraçadas)! Fotos na frente de túmulos, que se destacam pela arquitetura e pelo tamanho exuberantes! Ali estão os restos mortais de Evita Péron, em um corredor estreito, sem grande luxo, com ramos de flores recém colocadas. Sepulcro entitulado "Família Duarte".


Ao lado do cemitério enfileiram-se bares e restaurantes que começavam a se preparar para abrirem. Logo na esquina uma sorveteria chamada Fredo. Entre outros sabores, "Dulce de Leche". Ainda não sei se o sorvete é muito bom ou a ocasião favorecia. A questão é que foi o melhor "gelatto" que já provei.



Continuando a caminhada passamos por um centro comercial chamado Village, grandioso, porém sem muitas lojas. Uma grande livraria e salas de cinema. Uma pizzaria chamada Strada (La Strada) fantástica. Peça pela Marguerita. O segundo vinho na terra das uvas Malbec foi um Luigi Bosca Reserva Syrah. Na temperatura ideal muito gostoso ($ 50).



Antes deste jantar conhecemos um shopping de decoração. Abriga a loja do Hard Rock Café e uma loja da Morph ainda maior. Uma surpresa agradável porém cara. No andar superior alguns restaurantes, bares e cafés, com mesas e poltronas ao ar livre dispostas entre vasos com flores e arbustos. Tomamos uma Quilmes neste jardim, quase a única marca de cerveja por lá.



O dia seguinte foi para conhecer o Caminito (La Boca) com suas casas coloridas, quadros, artesanato e tirar fotos feito dançarino de tango. Uns passos adiante e encontramos La Bombonera. Pela quantidade de cocô nas calçadas (inclusive um integrante do nosso grupo teve a sola premiada), as pessoas ao redor do estádio passeiam muito com seus cachorros ou os bichos passeiam por lá independentemente. Um campo pequeno, muito próximo das arquibancadas bastante altas (3 anéis), com cadeiras em metade do estádio. Na entrada um museu moderno e lojas com todo tipo de souvenirs. Contou-nos o taxista que os dois times mais tradicionais de Buenos Aires nasceram juntos e disputaram o estádio que hoje é do Boca Juniores em uma partida. Como o River Plate perdeu teve de se mudar para o Monumental de Nuñez construido para a Copa de 1978. Do Porto até o Caminito foi uma corrida de $30, se fosse negociado antes sairia mais barato.

Partimos para o "barrio" de Córdoba atrás de oportunidades para compras. Lá existem vários "outlets" porém os preços não estavam tão atraentes assim. O Felipe ganhou algumas roupas interessantes da grife Cheek, mais interessante que os preços do Shopping Barigüi.

Para se despedir da capital argentina queríamos um novo sorvete. Desta vez foi na sorveteria Volta, tão boa quanto a Fredo, porém com um atendimento não muito cordial. Nos faltou água!

Foi bom enquanto durou, voltarei para aproveitar esta cidade, agora que já nos apresentamos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Memória Periférica - Política

Sobre o "pré-sal":

1. O petróleo abaixo da camada de sal vai ampliar as reservas o suficiente para tornar o Brasil exportador (as reservas hoje são de cerca de 14 bilhões de barris)?

2. Qual o tamanho do investimento para retirar petróleo (e gás) a 7000 metros de profundidade e 300 km da costa?

P.S - Não há precedentes, na indústria petrolífera mundial, para uma exploração maciça sob tais parâmetros.

3. Qual a argumentação para determinar o rítmo de exploração e os volumes de comercializaçã o?

4. Como reunir o capital necessário para dar início à exploração?

5. Como serão alocados os recursos fiscais oriundos da exploração?


* O governo pretende aumentar a participação da União no bolo acionário da Petrobrás, a fim de explorar as reservas do pré-sal.

* 62% do capital total da Petrobras está em mãos privadas!

* Ao pôr mais recursos na empresa, deverá cobrar mais tributos pelo petróleo a ser explorado do pré-sal (nos moldes do marco regulatório atual).

*Lula rejeitou a proposta inicial da Petrobrás de que a União capitalizasse a empresa em US$ 100 bilhões, para deixar com ela todo pré-sal.

* A capitalização da Petrobrás teria o objetivo de dar musculatura para estatal sair na frente das empresas privadas ao explorar as reservas do pré-sal que ainda não foram leiloadas.

* O governo tem defendido a aplicação do grosso desses recursos nas "reparações históricas", como investimento maciço em educação e no combate à miséria.

* A produção diária da Petrobrás alcançará 2,3 milhões de barris em 2010, saltará para 3,5 milhões em 2015 e atingirá 5 milhões em 2020 (desconsiderando explorações do pré-sal). Levantamento feito pelo professor Adilson de Oliveira - UFRJ.

* Peso da Petrobrás na riqueza do país hoje representa 5% do PIB. E 2020 pode chegar à 10%

*Em reunião com aliados políticos, o presidente disse que criará uma nova empresa para administrar as áreas do pré-sal que ainda não foram leiloadas.

Kennedy Alencar - Surcursal de Brasilía - Caderno dinheiro pág B1 Domingo, 24 de Agosto de 2008

Roberto Machado - Sursursal do Rio de Janeiro - Caderno dinheiro pág 31 Domingo, 24 de Agosto de 2008

Editorial - Otávio Frias Filho

Escrito em 26 de Agosto de 2008.