Hoje vi um carro da polícia.
Rodava sem pressa.
Os tiras, nos acentos da frente, conversavam descontraidamente.
Não havia barulho.
No porta-malas, uma jovem franzina de cabelos secos.
Se um extra-terrestre observasse e entendesse as figuras, provavelmente tentaria salvar o mais frágil dos seres, que também estava em menor número e em situação desfavorável.
Em mim também gerou certa revolta.
Fazia tempo que não via uma pessoa ser transportada presa num porta-malas.
Não bastava algemá-la e conduzí-la sentada no banco de trás?
Nossos carros não tem vidros como em Bervely Hills Cop.
Talvez tivesse abandonado a filha recém-nascida dentro de um saco plástico no rio mais próximo, ainda que o bebê chorasse de fome ou frio.
Então cheguei atrasado.
E se eu visse essa cena?
Eu, que não sou afeito à violência e discussões, que não gosto de correr riscos, interviria.
Imagino uma situação em que me sentiria capaz.
Ao impedir tal crueldade me deparo com uma jovem sem reação, que não ameaça ao menos uma fuga.
Está fadigada fisicamente e consumida mentalmente, sem a interferência de drogas.
O marido recomendou que tomasse uma providência.
Não teria como sustentar o sétimo filho.
Safou-se de uma agressão física.
Indubitável, para ele não precisava de motivos.
Bastava chegar em casa.
Deixou seis filhos.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ramerrão
Ser médico, nos dias de hoje, de certa forma é um privilégio. Não nos falta trabalho. Por outro lado, há de trabalhar por várias horas e em vários lugares. O telefone celular é um mal quase que totalmente necessário. Nesse contexto informações sobre pacientes são trocadas por colegas, e a calma que um tem para passar o caso, por vezes não é a mesma que o solicitado tem para refletir e responder. O tempo, o celular e a rotina aprisionam os médicos.
Imagine um cirurgião cardíaco que inicia a primeira cirurgia às seis horas da manhã, segue até metade da tarde, para então atender um ambulatório quase infinito, tendo que, no meio das consultas, responder a uma intercorrência nas enfermarias e a uma avaliação urgente solicitada pela UTI! Você pode dizer, loucura, não se pode trabalhar sozinho, ou desse jeito! Mas acontece, nos melhores hospitais,nas diferentes especialidades, em todas as cidades! No dia seguinte lá está novamente o cirurgião enfrentando uma nova jornada.
Pois ao sair da UTI de um Hospital dirigido por freiras, sou seguido pela enfermeira chefe, uma irmã que sustenta alguns prontuários enfileirados sobre as mãos. Em nossa frente, já distante poucos metros, caminha um senhor branco, magro, de poucos cabelos brancos que cercam a rubra calva. Com um curto jaleco branco e calças pretas o santo senhor interrompe seus passos:
- Padre Chico - chama a freira - O senhor deu a benção para a paciente do 9? Ela chegou ontem e é muito grave!
Nisso o pároco inicia uma meia volta, lenta como sua dúvida, olha para irmã um pouco desconcertado e responde como se procurasse uma explicação:
- Mas ninguém me avisou desta paciente!
Não acompanhei o desfecho. Acredito que a paciente recebeu a benção. Seguramente, na manhã seguinte, lá estará Padre Chico para uma nova visita!
Imagine um cirurgião cardíaco que inicia a primeira cirurgia às seis horas da manhã, segue até metade da tarde, para então atender um ambulatório quase infinito, tendo que, no meio das consultas, responder a uma intercorrência nas enfermarias e a uma avaliação urgente solicitada pela UTI! Você pode dizer, loucura, não se pode trabalhar sozinho, ou desse jeito! Mas acontece, nos melhores hospitais,nas diferentes especialidades, em todas as cidades! No dia seguinte lá está novamente o cirurgião enfrentando uma nova jornada.
Pois ao sair da UTI de um Hospital dirigido por freiras, sou seguido pela enfermeira chefe, uma irmã que sustenta alguns prontuários enfileirados sobre as mãos. Em nossa frente, já distante poucos metros, caminha um senhor branco, magro, de poucos cabelos brancos que cercam a rubra calva. Com um curto jaleco branco e calças pretas o santo senhor interrompe seus passos:
- Padre Chico - chama a freira - O senhor deu a benção para a paciente do 9? Ela chegou ontem e é muito grave!
Nisso o pároco inicia uma meia volta, lenta como sua dúvida, olha para irmã um pouco desconcertado e responde como se procurasse uma explicação:
- Mas ninguém me avisou desta paciente!
Não acompanhei o desfecho. Acredito que a paciente recebeu a benção. Seguramente, na manhã seguinte, lá estará Padre Chico para uma nova visita!
sábado, 29 de agosto de 2009
Hoje tem marmelada?
No circo chinês não tem palhaços.
Tem um mar com ondas num roteiro cinematográfico.
Artistas disciplinados que também erram!
Sem a música faltaria emoção.
Pela primeira vez vi uma contorcionista ficar completamente suspensa, se sustendando apenas pela boca (mordendo um anteparo).
Ao final de quase duas hora de espetáculo o pequeno cansou e reclamou da "música barulhenta". Com razão. A medida que chegava o fim, o volume aumentava.
Os orientais sorriram e ensaiaram um contato mais próximo com o público.
Arrancaram suspiros e aplausos da platéia, mas não houve gargalhadas.
Circo sempre vale a pena.
Sim senhor!
Tem um mar com ondas num roteiro cinematográfico.
Artistas disciplinados que também erram!
Sem a música faltaria emoção.
Pela primeira vez vi uma contorcionista ficar completamente suspensa, se sustendando apenas pela boca (mordendo um anteparo).
Ao final de quase duas hora de espetáculo o pequeno cansou e reclamou da "música barulhenta". Com razão. A medida que chegava o fim, o volume aumentava.
Os orientais sorriram e ensaiaram um contato mais próximo com o público.
Arrancaram suspiros e aplausos da platéia, mas não houve gargalhadas.
Circo sempre vale a pena.
Sim senhor!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O Baile de Máscaras
A brisa fria soprou sobre o hemisfério sul.
Sinto-me prisioneiro dos meus pensamentos.
Meus olhos são as janelas da minha alma.
Vivo na era das informações instantâneas, tudo agora!
Atuo na investigação das dores alheias, sinto o sofrimento concreto e abstrato.
E decido, porque é inevitável.
A chuva passou, não há mais frio, a vida ressurge la fora.
Falta-me ar.
Sei o que é, o que fazer, e o que pode acontecer.
Não tenho dúvida.
Por que temo?
Temo pela excessão, pela menor parte, pelo 1%, pela sorte que nunca tive em loterias vir a se transformar num grande azar. Eu sou assim, já há muito tempo, porém, são vales de um mal estar temporário ! Talvez as pessoas sejam assim.
O Pânico é algo abstrato,uma cria humana, portanto insegura, irresponsável, sem fins!
Há uma semana vivem disfarçados.
Sinto-me prisioneiro dos meus pensamentos.
Meus olhos são as janelas da minha alma.
Vivo na era das informações instantâneas, tudo agora!
Atuo na investigação das dores alheias, sinto o sofrimento concreto e abstrato.
E decido, porque é inevitável.
A chuva passou, não há mais frio, a vida ressurge la fora.
Falta-me ar.
Sei o que é, o que fazer, e o que pode acontecer.
Não tenho dúvida.
Por que temo?
Temo pela excessão, pela menor parte, pelo 1%, pela sorte que nunca tive em loterias vir a se transformar num grande azar. Eu sou assim, já há muito tempo, porém, são vales de um mal estar temporário ! Talvez as pessoas sejam assim.
O Pânico é algo abstrato,uma cria humana, portanto insegura, irresponsável, sem fins!
Há uma semana vivem disfarçados.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Da onde vim?
- Pai você foi pra escola?
- Fui filho.
- Junto com o tio Gui?
- Não. Junto com o tio Fábio, com a mamâe, com o tio Mau..."
- E eu fiquei sozinho?
***Dialogando com Felipe aos seus 2 anos 10 meses e 1 dia.
- Fui filho.
- Junto com o tio Gui?
- Não. Junto com o tio Fábio, com a mamâe, com o tio Mau..."
- E eu fiquei sozinho?
***Dialogando com Felipe aos seus 2 anos 10 meses e 1 dia.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Alvo Negro
Michael Jackson morreu! Ontem à tarde, subitamente, próximo de reiniciar uma série de 50 apresentações em um teatro londrino. Um show para cada ano vivido até aqui.
Levou consigo um recorde inquebrável. Até então, havia vendido mais discos que qualquer outro artista na história da música ("Thriller" vendeu 63 milhões de cópias, como está escrito no "Almanaque anos 80", e segundo William Waack, no jornal da globo de ontem, mais de 100 milhões de discos). Hoje vende ainda mais(15 cds mais vendidos na loja virtual Amazon.com, FSP 26/6/2009). Na época do download, realmente inquebrável!
Curioso que este artista com todas as letras, nunca me cativou. Não contribuí para seu recorde em nenhum momento, nem sem querer, quando se ganhava discos de presentes! Escutava uma música sua, gostava, mas bastava. Quando passava um clipe, assistia, mas não repetia.
Vendo e revendo as passagens da sua vida e obra, tenho que admitir que Michael fez parte da minha infância. Lembrei de "Thriller" que assisti quando tinha 5 anos (de maneira muito parecida com o que James Cimino escreveu na Folha Online hoje). Foi num domingo à noite, divulgado de maneira inédita e exclusiva pelo Fantástico. Eu já havia tomado banho,e estava ao lado do meu pai e do meu irmão na pequena sala do sobrado. Também tive medo!
Recordo ter lido numa reportagem da Veja que o artista passava um período dentro de uma câmara fechada, fazendo algum tipo de tratamento que lhe permitiria viver mais de cem anos. Talvez tenha visto ou interpretado de maneira errada, a questão é que ficou registrado na memória. E percebia a sua palidez progressiva, suas plásticas deformantes, o achava muito feminino. Até que ele casou e daí me confundiu. Teve filhos, foi acusado de pedofilia, e então foi sugado por tudo isso. Quase sumiu. As últimas notícia falavam de um leilão de objetos pessoais que o artista promovia, talvez até para pagar dívidas. Parecida com a história de Mike Tyson.
Um dia depois da sua morte, como freqüentemente acontece, dou mais valor ao artista que foi, sem me arrepender por não tê-lo curtido mais em vida. Acho que foi um gênio à parte. Nasceu cantor negro americano. Cantou com os irmãos e sozinho desde cedo. Compôs um álbum inteiro (BAD). O clipe de "Thriller" inovou (misturou cenas de um filme com videoclipe musical). O de "Black or White" também (em tempos não muito próximos). Apresentar-se com dançarinos em coreografias muito bem sincronizadas e valorizadas, só Michael e Madona (perfeccionismo, esforço, dedicação, prazer). Ah, já ia me esquecendo, parafraseando um entre muitos jornalistas que comentam sua morte, " Quem nunca tentou imitá-lo com os famosos passos de Moonwalker?"
Mais um imortalizado pela música. Nos dias de hoje podemos dizer que precocemente. Mais velho que Élvis, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bob Marley e John Lennon.
Seria diferente?
P.S - Preparem-se para as biografias, autorizadas e não autorizadas, algumas já prontas. Terá Michael tantos imitadores quanto Élvis?
Levou consigo um recorde inquebrável. Até então, havia vendido mais discos que qualquer outro artista na história da música ("Thriller" vendeu 63 milhões de cópias, como está escrito no "Almanaque anos 80", e segundo William Waack, no jornal da globo de ontem, mais de 100 milhões de discos). Hoje vende ainda mais(15 cds mais vendidos na loja virtual Amazon.com, FSP 26/6/2009). Na época do download, realmente inquebrável!
Curioso que este artista com todas as letras, nunca me cativou. Não contribuí para seu recorde em nenhum momento, nem sem querer, quando se ganhava discos de presentes! Escutava uma música sua, gostava, mas bastava. Quando passava um clipe, assistia, mas não repetia.
Vendo e revendo as passagens da sua vida e obra, tenho que admitir que Michael fez parte da minha infância. Lembrei de "Thriller" que assisti quando tinha 5 anos (de maneira muito parecida com o que James Cimino escreveu na Folha Online hoje). Foi num domingo à noite, divulgado de maneira inédita e exclusiva pelo Fantástico. Eu já havia tomado banho,e estava ao lado do meu pai e do meu irmão na pequena sala do sobrado. Também tive medo!
Recordo ter lido numa reportagem da Veja que o artista passava um período dentro de uma câmara fechada, fazendo algum tipo de tratamento que lhe permitiria viver mais de cem anos. Talvez tenha visto ou interpretado de maneira errada, a questão é que ficou registrado na memória. E percebia a sua palidez progressiva, suas plásticas deformantes, o achava muito feminino. Até que ele casou e daí me confundiu. Teve filhos, foi acusado de pedofilia, e então foi sugado por tudo isso. Quase sumiu. As últimas notícia falavam de um leilão de objetos pessoais que o artista promovia, talvez até para pagar dívidas. Parecida com a história de Mike Tyson.
Um dia depois da sua morte, como freqüentemente acontece, dou mais valor ao artista que foi, sem me arrepender por não tê-lo curtido mais em vida. Acho que foi um gênio à parte. Nasceu cantor negro americano. Cantou com os irmãos e sozinho desde cedo. Compôs um álbum inteiro (BAD). O clipe de "Thriller" inovou (misturou cenas de um filme com videoclipe musical). O de "Black or White" também (em tempos não muito próximos). Apresentar-se com dançarinos em coreografias muito bem sincronizadas e valorizadas, só Michael e Madona (perfeccionismo, esforço, dedicação, prazer). Ah, já ia me esquecendo, parafraseando um entre muitos jornalistas que comentam sua morte, " Quem nunca tentou imitá-lo com os famosos passos de Moonwalker?"
Mais um imortalizado pela música. Nos dias de hoje podemos dizer que precocemente. Mais velho que Élvis, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bob Marley e John Lennon.
Seria diferente?
P.S - Preparem-se para as biografias, autorizadas e não autorizadas, algumas já prontas. Terá Michael tantos imitadores quanto Élvis?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Possibilidades!
Comigo me desavim
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim , se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
Sá Miranda
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim , se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
Sá Miranda
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